É um cenário familiar para muitos: você está conversando com amigos, ouvindo suas notícias empolgantes sobre progressos na carreira e conquistas na vida. Um sentimento de felicidade por eles se mistura com um reflexo quase automático – você começa a comparar sua própria vida com a deles. Este ato, aprimorado por anos de prática, começa inocentemente, pensando em experiências compartilhadas. No entanto, pode rapidamente se transformar em um mar turbulento de comparações, onde você começa a se concentrar no que falta em sua própria vida em relação ao que os outros possuem. Pensamentos como “Eu deveria estar mais avançado na minha carreira”, “Eu deveria estar fazendo mais” ou “Eu deveria ter conquistado isso” começam a surgir. Você navegou sem saber para o ‘Mar dos Deveria’, um território traiçoeiro onde a autoestima frequentemente naufraga.
O perigo inerente em nos compararmos aos outros reside na injustiça fundamental dessas comparações. Cada pessoa é uma tapeçaria única de características individuais e experiências de vida, distintamente suas. A menos que você tenha um gêmeo idêntico que espelhou cada passo e pensamento seu desde o nascimento, é seguro dizer que se comparar diretamente a outra pessoa é um esforço fútil. Toda a nossa jornada de vida, com suas voltas e reviravoltas específicas, é o que nos diferencia. Embora possamos compartilhar um terreno comum, mesmo seguindo o mesmo caminho de carreira, as rotas que nos levaram ao momento presente são muito diferentes. Quando nos engajamos em comparar comparações entre nós e os outros, essencialmente invalidamos nossa própria jornada única e desejamos um passado que nunca existiu. Embora a pressão para estar à altura dos outros possa ocasionalmente gerar motivação para a mudança, é muito mais provável que gere sentimentos de inadequação e diminuição da autoestima.
Nesses momentos de dúvida alimentados pela comparação, é crucial lembrar uma verdade fundamental: nosso valor próprio não depende de nossas ações ou posses. Embora admirar o estilo de um colega ou a carreira de sucesso de um amigo seja perfeitamente normal, a linha é cruzada quando a admiração se transforma em comparação direta com nossas próprias vidas. Essa transição nos mergulha em uma zona de perigo, muitas vezes nos deixando sentindo inadequados e desanimados – um lugar onde ninguém quer ficar.
Alguns podem argumentar a favor do lado positivo da comparação, apontando para aqueles momentos em que nos sentimos melhor sobre nós mesmos observando as lutas de outra pessoa. No entanto, esse “benefício” é uma faca de dois gumes. Em tais casos, ainda estamos ancorando nosso valor próprio a fatores externos – neste caso, o infortúnio percebido de outra pessoa. Mas o que acontece quando nossas próprias circunstâncias mudam? Ou quando o amigo com quem nos comparávamos experimenta uma mudança positiva? Nosso valor próprio diminui ou aumenta repentinamente com base nessas flutuações externas?
Então, qual é uma abordagem mais construtiva? A Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC) oferece uma perspectiva valiosa ao defender o desapego completo da autoavaliação. Isso significa nos libertar do hábito de julgar nosso valor com base em nossas conquistas ou deficiências percebidas. Os seres humanos são muito complexos para serem avaliados ou definidos com precisão por rótulos ou comparações simples. Da mesma forma, é uma simplificação excessiva e, em última análise, prejudicial, avaliar nosso valor próprio comparando comparações com outro indivíduo igualmente complexo. A verdadeira autoaceitação reside em reconhecer nosso valor intrínseco, independente de benchmarks externos e das areias movediças da comparação.